Terapia com cavalos é alternativa para tratamentos de saúde

Problemas físicos e psicológicos podem hoje ser enfrentados com métodos alternativos. Esse é o caso da equoterapia, tratamento no qual se utilizam cavalos no processo de cura ou melhora do quadro do praticante.

De maneira mais incisiva, a utilização deste método no Brasil se deu a partir de 1989, quando foi criada a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil). A equoterapia consiste na ideia de utilizar o cavalo como aliado dentro de uma abordagem interdisciplinar, relacionando as áreas de saúde, educação e equitação, fazendo assim com que os praticantes com deficiência alcancem o desenvolvimento biopsicossocial.

De acordo com Denise Bicca, médica veterinária e professora de natural horsemanship (técnica que foca na interação saudável dos seres humanos com os animais), o ponto principal para que se realize a equoterapia com êxito é a preparação que os cavalos recebem para receber os praticantes. “O mais importante é o cavalo certo”, afirma. Denise ainda diz que equinos que já haviam tido experiências de relacionamentos com pessoas anteriormente têm um potencial maior de proporcionar melhor qualidade no processo.

Mas, para a psicóloga Silvia Scheffer, sócia do Cavalo Amigo, centro de equoterapia que realiza suas atividades na Sociedade Hípica Porto Alegrense, a ideia de que para realizar as atividades equoterápicas é necessário um cavalo experiente é mito. De acordo com Silvia, o preponderante para um trabalho bem desenvolvido por parte do equino é vitalidade, tranquilidade e gostar do contato com os humanos.

Um exemplo da funcionalidade da equoterapia é o caso de Wylliam, de sete anos, filho da dona de casa Eleonara Camargo. Diagnosticado com paralisia cerebral, além de ter nascido com 26 semanas de gestação, Wylliam está praticando equoterapia desde junho de 2016, quando a fisioterapeuta infantil que o acompanha lhe indicou tal método de tratamento. Eleonara diz que quando William começou a fazer a equoterapia “não ficava em pé, nós largávamos ele e ia direto para o chão”.

Além do desenvolvimento motor relatado por Eleonara, Wylliam também acabou desenvolvendo afeto com o cavalo que participa das atividades, coisa que antes não ocorria pelo medo de animais. “O Wylliam nem parece a mesma criança, fora o carinho que ele tem com a cavalo”, afirma.

Ainda sobre o desenvolvimento adquirido por ele após o iniciar as práticas de equoterapia, a mãe afirma que, antes, para se locomover com Wylliam, era possível somente com a cadeira de rodas, situação que se alterou após o tratamento. Ao todo, a equipe que atende Wylliam conta com quatro integrantes, sendo eles uma fisioterapeuta, além da própria Silvia.

“Não dá pra ter pouca prática”

A partir do momento em que uma pessoa é identificada com alguma necessidade passível de uso animal no tratamento, o médico faz a indicação do uso. De acordo com Silvia, é feita uma avaliação do caso, a fim de identificar qual é o melhor método a ser utilizado. As necessidades que levam à procura são, em geral, crianças com autismo, paralisia cerebral, problemas emocionais e físicos. Mas também há aqueles que estão se recuperando de acidentes vasculares cerebrais, infartos ou até mesmo quadros depressivos.

Silvia acrescenta que um dos maiores problemas que ocorrem quando o público busca locais que ofereçam esse tipo de serviço é a falta de conhecimento das atividades desenvolvidas em um centro de equoterapia sem credenciamento e habilitação da Ande-Brasil para funcionar. Isso acarreta em serviços sem a devida qualidade, que não atendem às demandas necessárias, façam esse tipo de serviço.

Rotina de cavalo

Quando um profissional realiza suas atividades de uma maneira mais descansada, estando com a situação apta para atuar, em geral desenvolve suas funções de maneira mais exitosa. Não é diferente no que diz respeito ao cavalo. No Centro de Equoterapia Cavalo Amigo, a rotina de trabalho é feita de maneira tranquila, tudo para que o animal tenha um vigor emocional e físico quando atua.

Silvia afirma que os cavalos que integram sua equipe trabalham um dia sim e outro não, ficando nos dias de folga soltos no campo. Além disso, os equinos recebem alimentação diferenciada e acompanhamento médico, tudo para que os cavalos possam “emprestar um pouco da sua alegria aos praticantes”.

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